Como o assunto está recorrente em nossas discussões, e todos sabem que sou uma professora musical,... bom, todos os que trabalham comigo, então deixa eu voltar um pouquinho no tempo...
Há 11 anos, quando ingressei como professora na Rede Municipal de Campinas, já existiam os cursos de formação continuada na prefeitura e, assim que pude, logo no primeiro ano, me inscrevi no primeiro de muitos cursos musicais que já fiz desde que me tornei professora: "A música e os temas transversais", que tinha como formadora, Tânia Poyate (não me lembro se a grafia está correta). E foi aí que comecei a minha carreira de professora musical, como me auto entitulei. Como sempre gostei muito de ouvir, dançar e cantar (mesmo que desafinada) música, nunca foi difícil para mim, trabalhar com ela.
Porém, no último ano e meio, resolvi me dedicar com mais afinco à aprendizagem do tema. Fiz o curso de Canto Coral e de violão iniciante, também oferecidos pela prefeitura. Atualmente curso violão clássico oferecido pela Escola Livre de Música da Unicamp, e também estou inscrita no de violão popular da Rede.
São horas de aprendizado e extremo prazer! E tento trazer, na medida do possível, o que aprendo, não só para meus alunos, mas para outras turmas, onde as professoras se mostram abertas a minha entrada na sua rotina. Como a Simone falou que devemos relatar também as coisas boas, venho então falar do meu, muito bom, currículo oculto.
Já havia ido com meu violão e meu pouquissimo conhecimento musical a algumas salas de aulas de colegas que solicitaram que eu tocasse para "seus" alunos (Regina, Mafê, Ana, Edna). Mas essa semana, 6a feira 13 (olha o dia!), foi especial! Já tinha ido ao 1o ano da Edna duas ou três vezes, e mandei a letra de umas musiquinhas que sei tocar para ela trabalhar com as crianças. Na 6a feira, quando cheguei, a turma toda me acompanhou e ainda mostraram a coreografia que fizeram para a música do Coelhinho. Foi muuuito legal ve los cantando e dançando e dizendo "--Aaaaaahhhh!", quando eu disse que tinha que sair.
E quando cheguei ao refeitório, para receber meus alunos que saiam da educação fisica, carregando propositalmente o violão nas costas, alguns vieram até mim e perguntaram se eu ia tocar para eles. Chegando a sala fizemos uma brincadeira com ritmos e depois toquei por uns 20 minutos enquanto eles iam copiando umas questões da lousa e cantando. Foi impressionante o quanto que eles acalmaram!
É, a música pode operar milagres! Alguém me explica por que ela ainda não faz parte do nosso currículo oficial? Por que não se contratam profissionais gabaritados para exercer esse cargo? Por que nossas crianças são privadas de conhecimento cultural-musical nas escolas públicas? Alguém me explica???
Espaço dedicado para estudo, discussão, registro e comentários acerca das leituras sobre currículo, com objetivo de potencializar a discussão e de refletir sobre nossa prática e nossos escritos.
domingo, 15 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Currículos
De fato, não é fácil pensar a construção do currículo na escola, pois ele parece um peixe ensaboado. Quando achamos que temos ele em nossa mão, ele escorrega. Por isso, também é muito fácil jogarmos o bebê fora com a água do banho... Em nossos últimos encontros, volto para casa pensando em várias questões. Vou escrever aqui brevemente sobre algumas questões:
1. Se por um lado o trabalho na escola é marcado pelas prescrições e planejamentos escritos (entregues à coordenação, à gestão, ao Estado), por outro há uma infinita liberdade de desenvolver conteúdos, objetivos e formas de avaliação que são individuais. Assim, eu fico sempre perguntando qual é o projeto coletivo das escolas? Qual o papel dos professores e da equipe gestora para discutir os menores detalhes do projeto pedagógico? As ações (e reações) que ocorrem nas salas são de responsabilidade apenas do professor e de sua turma? E os pais? A comunidade escolar? E os futuros professores das crianças? E os antigos? Eles teriam alguma contribuição para o currículo em ação nas escolas?
2. Se há uma tensão entre infinitos projetos individuais e projetos coletivos, qual é a instância que regula o trabalho docente e a construção curricular? Se não é um "vale-tudo", o que "vale" na esfera escolar? Uma vez que não temos mais "inspetores" a quem cabe coordenar e regular o quê, como e de que maneira podemos ensinar crianças e jovens? Que currículos são construídos nessas tensões entre meus projetos individuais e os projetos coletivos? Como lidar com os nossos-meus olhares avaliativos?
3. Funk, Gospel, Novela, BBB, rap, propaganda, "chão...chão..chão", "Tchê, Tchê, Tchê...". A música está em todos os lugares no celular, na televisão, no rádio, na mídia e na escola também. No entanto, a entrada da canção e da música na escola não é algo tranquilo. Que estação de rádio queremos, podemos, desejamos? De um lado, as escolhas musicais dos alunos são heterogêneas e marcam suas identidades. De outro lado, a escola tem um papel de formação cultural e não apenas "cognitiva". Como, então, construir um currículo que não procure a-culturar os alunos (seus gostos, suas identidades), mas que também não seja uma repetição do que assistem na televisão? Como relacionar meus conteúdos (listados e escritos) com as questões que emergem do cotidiano (a batida do funk, a música sertaneja, as escolhas religiosas)? Talvez, pensar em uma escola multicultural e que valorize mais a heterogeneidade, sem perder o seu papel de formação reflexiva e crítica. Como fazer isso?!
4. "Tempo, tempo, tempo"... Atrelada à questão das culturas escolares e das culturas valorizadas (e não valorizadas), a escola tenta se afastar do modelo "Esquenta!", programa global de Regina Casé, mas as práticas culturais oferecidas por ela não têm chamado tanta atenção como outros produtos culturais como as novelas e os CDs de pagode, tecnobrega ou música sertaneja. Uma possibilidade é hibridizar e transformar essa cultura escolar. Para isso, é preciso "tempo", "trabalho coletivo" e "construção de comunidades de aprendizagem" que levem em conta os saberes locais e das comunidades. Não dá para impor a uma comunidade indígena ou quilombola uma edução europeia, assim como não dá para impor para as comunidades locais um currículo tão distante de suas crenças, valores e conhecimentos.
5. Dúvidas...dúvidas...tenho muitas dúvidas.
Alguns materiais que podem nos ajudar a refletir são
Indagações sobre currículo
Educação escolar e cultura(s): abrindo caminhos
1. Se por um lado o trabalho na escola é marcado pelas prescrições e planejamentos escritos (entregues à coordenação, à gestão, ao Estado), por outro há uma infinita liberdade de desenvolver conteúdos, objetivos e formas de avaliação que são individuais. Assim, eu fico sempre perguntando qual é o projeto coletivo das escolas? Qual o papel dos professores e da equipe gestora para discutir os menores detalhes do projeto pedagógico? As ações (e reações) que ocorrem nas salas são de responsabilidade apenas do professor e de sua turma? E os pais? A comunidade escolar? E os futuros professores das crianças? E os antigos? Eles teriam alguma contribuição para o currículo em ação nas escolas?
2. Se há uma tensão entre infinitos projetos individuais e projetos coletivos, qual é a instância que regula o trabalho docente e a construção curricular? Se não é um "vale-tudo", o que "vale" na esfera escolar? Uma vez que não temos mais "inspetores" a quem cabe coordenar e regular o quê, como e de que maneira podemos ensinar crianças e jovens? Que currículos são construídos nessas tensões entre meus projetos individuais e os projetos coletivos? Como lidar com os nossos-meus olhares avaliativos?
3. Funk, Gospel, Novela, BBB, rap, propaganda, "chão...chão..chão", "Tchê, Tchê, Tchê...". A música está em todos os lugares no celular, na televisão, no rádio, na mídia e na escola também. No entanto, a entrada da canção e da música na escola não é algo tranquilo. Que estação de rádio queremos, podemos, desejamos? De um lado, as escolhas musicais dos alunos são heterogêneas e marcam suas identidades. De outro lado, a escola tem um papel de formação cultural e não apenas "cognitiva". Como, então, construir um currículo que não procure a-culturar os alunos (seus gostos, suas identidades), mas que também não seja uma repetição do que assistem na televisão? Como relacionar meus conteúdos (listados e escritos) com as questões que emergem do cotidiano (a batida do funk, a música sertaneja, as escolhas religiosas)? Talvez, pensar em uma escola multicultural e que valorize mais a heterogeneidade, sem perder o seu papel de formação reflexiva e crítica. Como fazer isso?!
4. "Tempo, tempo, tempo"... Atrelada à questão das culturas escolares e das culturas valorizadas (e não valorizadas), a escola tenta se afastar do modelo "Esquenta!", programa global de Regina Casé, mas as práticas culturais oferecidas por ela não têm chamado tanta atenção como outros produtos culturais como as novelas e os CDs de pagode, tecnobrega ou música sertaneja. Uma possibilidade é hibridizar e transformar essa cultura escolar. Para isso, é preciso "tempo", "trabalho coletivo" e "construção de comunidades de aprendizagem" que levem em conta os saberes locais e das comunidades. Não dá para impor a uma comunidade indígena ou quilombola uma edução europeia, assim como não dá para impor para as comunidades locais um currículo tão distante de suas crenças, valores e conhecimentos.
5. Dúvidas...dúvidas...tenho muitas dúvidas.
Alguns materiais que podem nos ajudar a refletir são
Indagações sobre currículo
Educação escolar e cultura(s): abrindo caminhos
Relato do encontro do dia 04/04/2012
Presentes:
Andréia, Edna, Janey, Mafê, Regina, Simone e Vanessa.
Esperávamos pela presença do professor Clécio - que não pôde estar conosco.
Dedicamos o encontro à leitura das inúmeras postagens feitas pelas participantes do grupo:
Andréia, Mafê e Simone.
Entre aranhas, lagartixas e outros bichos (rsrs!) - mais uma vez nos deparamos com indagações sobre como conseguirmos atender aos conteúdos propostos pelas Diretrizes...
Regina fala das inúmeras mudanças que presenciou no bairro, na escola, na sociedade (ao longo dos últimos 20 anos): vemos que a escola melhorou (em termos materiais), as famílias tem + poder aquisitivo... Mas as dificuldades em alfabetizar, de conviver pacificamente (sem agressões, sem violências) permanecem...
Regina diz que se aposentará no próximo ano, mas como ainda não conseguiu encontrar uma "receita" para estes problemas, deixará esta missão para as "mais novas"...
Andréia, Edna, Janey, Mafê, Regina, Simone e Vanessa.
Esperávamos pela presença do professor Clécio - que não pôde estar conosco.
Dedicamos o encontro à leitura das inúmeras postagens feitas pelas participantes do grupo:
Andréia, Mafê e Simone.
Entre aranhas, lagartixas e outros bichos (rsrs!) - mais uma vez nos deparamos com indagações sobre como conseguirmos atender aos conteúdos propostos pelas Diretrizes...
Regina fala das inúmeras mudanças que presenciou no bairro, na escola, na sociedade (ao longo dos últimos 20 anos): vemos que a escola melhorou (em termos materiais), as famílias tem + poder aquisitivo... Mas as dificuldades em alfabetizar, de conviver pacificamente (sem agressões, sem violências) permanecem...
Regina diz que se aposentará no próximo ano, mas como ainda não conseguiu encontrar uma "receita" para estes problemas, deixará esta missão para as "mais novas"...
Mafê fala das tantas crianças com suas diferentes questões (falta de limites, ausência de apoio familiar, excesso de violência, agressividade)...
E do grande esforço que ela têm empenhado em “ouvi-los”, propor atividades diferenciadas...
Este relato foi escrito pela Janey no dia 04/04/2012 e está sendo postado hoje, 14/04/2012 - devendo ser editado pelos demais participantes do grupo - conforme combinado no último encontro (do dia 11/04).
E do grande esforço que ela têm empenhado em “ouvi-los”, propor atividades diferenciadas...
Este relato foi escrito pela Janey no dia 04/04/2012 e está sendo postado hoje, 14/04/2012 - devendo ser editado pelos demais participantes do grupo - conforme combinado no último encontro (do dia 11/04).
O que faz você feliz?
Há cerca de duas semanas as Professoras Mônica e Claudinha passaram pelas salas das turmas da manhã, juntamente com as meninas que participam do Projeto Reciclando com Arte, para pedir a colaboração dos pequenos em trazer para a escola pilhas e baterias usadas para o descarte adequado.
Encontrei aí um bom motivo para a produção de um texto com real uso social, para além das atividades escolares diárias que muitas vezes não fazem relação com a vida das crianças.
Geralmente os pequenos esquecem os recados que devem dar a família e um bilhete ou um folheto informativo se faz necessário.
Propus a turma então que coletivamente escrevêssemos um texto para lembrar as famílias de guardar as pilhas e baterias usadas para jogar na escola e não no lixo comum.
Com esta turma toda proposta é muito bem aceita.
Alguns dias depois comecei a aula relembrando a tarefa do texto com o qual nos comprometemos com as professoras.
Um dos meus alunos, o Emanuel, é um menino que desenha muito bem, pois sempre recorre a detalhes e a incorporar na ilustração elementos que surpreendem a todos.
Enquanto fazíamos o texto coletivo, pedi que Emanuel então pensasse e fizesse um desenho que fosse adequado para a informação que precisavámos transmitir.
Em casa formatei o folheto e para mim nada mais natural do que registrar a autoria da produção, tanto do texto escrito quanto da ilustração.
No entanto, a reação provocada foi muito além do que eu esperava.
No final da aula quando entreguei o folheto a todas as crianças para que levassem para casa, o Emanuel veio até mim e disse:
"- Pro., você colocou meu nome aqui?"
Eu disse que isso era lógico (pelo menos para mim) porque sempre que produzimos algo, temos que colocar o nome de quem fez.
Com um largo sorriso em seu rosto, colocou o papel de encontro ao peito como se fosse a coisa mais valiosa e querida do mundo, disse que não via a hora de chegar em casa para mostrar a sua mãe e em seguida me deu um forte abraço em forma de agradecimento.
Fiquei muito feliz em ter ajudado este menino a se sentir importante, participando de algo que toda a escola teria acesso e se reconhecendo como autor, no entanto acredito que conhecendo a sua família como conheço, o crédito desta alegria também é dela, porque são pais que ouvem, pesquisam, respondem e discutem as atividades produzidas na escola dando muito valor a curiosidade e criatividade de seu filho.
Parece que é mais fácil falarmos sobre aquilo que não dá certo e que nos leva a dúvidas constantes. Mas com certa frequência consigo ouvir também acontecimentos que nos motivam e nos fazem mais felizes.
O Emanuel ficou feliz em ver seu nome escrito no papel.
Certamente sua família ficou feliz ao vê-lo tão alegre.
Eu fiquei feliz por ter ajudado a produzir esta alegria.
Agora me diz, o que faz você feliz?
Simone Franco
domingo, 8 de abril de 2012
Relato da minha turma
A turma é um pouco agitada, as vezes atrapalhando o andamento das atividades e a transmissão dos conteúdos. Muitos alunos são lentos na realização das atividades e outros rápidos até demais. Preciso ter muitas atividades para os rápidos e não deixar de contemplar os mais lentos.
Tenho alunos escrevendo e lendo tudo, outros escrevendo palavras simples e começando a construção de frases, outros sabem todo o alfabeto e estão começando a escrever palavras simples, outros sabem um pouco do alfabeto e outros que não sabem nem as vogais, copiam apenas o seu nome sem nenhuma leitura das letras. Fica muito difícil trabalhar com uma turma assim.
Não existe mais esta historia de seguir com a turma para dar continuidade ao trabalho, a turma que se forma no ano seguinte não se parece em nada com a do ano anterior, recebemos alunos no 2º, no 3º, no 4º... ano sem ter freqüentado o 1º ano, sem conhecer o alfabeto, e pior ainda sem saber o que é letra. Recebemos também alunos de escolas próximas e de outros Estados, na maioria das vezes os que recebemos não estão no mesmo nível de aprendizagem dos que alfabetizamos. A rotatividade de crianças é muito grande, vão e vem a todo instante, vão os alfabetizados e vem os para alfabetizar.
Nesses vinte anos que trabalho como professora na Rede Municipal de Campinas, sendo dezoito deles na Escolinha Branca (nome carinhoso da Escola), muitas mudanças aconteceram, mudanças estas para melhor, a escola ficou bonita e bem equipada, o poder aquisitivo das famílias do bairro melhorou bastante, os profissionais da educação e os governantes tentaram e continuam tentando criar novos caminhos, no entanto parece que estamos caminhando em passos de tartaruga, não conseguimos dar conta de toda essa demanda e alunos continuam saindo da escola ou terminando o Ensino Fundamental sem estarem alfabetizados.
Tentamos achar os culpados: os pais que não cuidam das crianças? Os professores que tentam ser de tudo um pouco? Os gestores que vivem apagando incêndios? Os governantes que estão preocupados apenas com seus interesses? A sociedade violenta, desumanizada e sem valores? Quem são os culpados? Estamos longe de saber, enquanto isso temos nossos alunos para ensinar, alfabetizar! O que fazer? Estudar? Pedir ajuda? Chorar? Vou tentando tudo que sei e que estou aprendendo... Onde vou chegar? Não sei!
Regina Vasconcelos
terça-feira, 3 de abril de 2012
Os bichos
Ai Jesus!
A aranha, a lagartixa, e quantos outros pra nos fazerem lembrar que somos nada, ou somos tudo?!...
Fiquei meio desesperada com os relatos da Simone e da Mafê. Ando meio descontrolada esses dias. Acho que estou precisando me tornar um inseto, para, quem sabe, na minha insignificância, achar minha importancia na vida dos meus alunos. O que realmente importa? ... Como já lembramos outras vezes: onde ficamos na vida dessas crianças? Que importancia temos? Será que vale a pena? Aaahhhhh! Quantas questões...
Planejar? Pra quem? Para quê? A musica, ou as musicas, as moralidades, os valores,...
Bom, estou só retornando. Pra relaxar um pouquinho to colocando um link de uma violonista japonesa, Kaori Muraji, se der, assistam, ou ouçam um pouquinho enquanto trabalham. Também tem uma dupla brasileira: Siqueira e Lima. O novo para nós também.
Pensando, pensando, pensando,...
Andréia
A aranha, a lagartixa, e quantos outros pra nos fazerem lembrar que somos nada, ou somos tudo?!...
Fiquei meio desesperada com os relatos da Simone e da Mafê. Ando meio descontrolada esses dias. Acho que estou precisando me tornar um inseto, para, quem sabe, na minha insignificância, achar minha importancia na vida dos meus alunos. O que realmente importa? ... Como já lembramos outras vezes: onde ficamos na vida dessas crianças? Que importancia temos? Será que vale a pena? Aaahhhhh! Quantas questões...
Planejar? Pra quem? Para quê? A musica, ou as musicas, as moralidades, os valores,...
Bom, estou só retornando. Pra relaxar um pouquinho to colocando um link de uma violonista japonesa, Kaori Muraji, se der, assistam, ou ouçam um pouquinho enquanto trabalham. Também tem uma dupla brasileira: Siqueira e Lima. O novo para nós também.
Pensando, pensando, pensando,...
Andréia
A lagartixa
Mafê, 17/09/2011
Eu já estava sensibilizada e com o olhar desanuviado por alguns acontecimentos importantes na semana: como ver Josias dançando break e fazendo o maior sucesso!
Jô, dá um trabalhão vez por outra: chora aos gritos, tampa os ouvidos e vira “estátua” quando quer algo que não pode ter na hora.
Algo surreal, só vendo... Faltou muito, muito até semanas atrás. A mãe pediu demissão do emprego para diminuir as faltas dele. Josias tem melhorado desde então, mas...
Em situações em que é contrariado, depois de chamar atenção para si, de alguma forma, costuma abrir-se para a conversa quando chamado ao diálogo comigo e só comigo. Quando digo, por exemplo ( e geralmente longe do grupo):
- É a prô que está aqui... para de fazer isso, pois me machuca... O que eu te fiz? Mereço chute? Mereço que você me ignore?...
Daí começam a lembrar dos motivos da braveza e consigo ( na maioria das vezes, mas nem sempre) conversar calmamente com ele.
Jô, estava fora da sala, tinha saído para beber água, quando ouço um “forfé” no corredor.
Abro a porta e dois meninos o seguravam pelos braços, enquanto ele se debatia.
Pedi que o soltassem e eles me disseram que Josias jogava pedras no teto e que assim quebraria as lâmpadas.
Os dispensei e disse que Josias me contaria o que estava acontecendo.
Jô, com voz e olhar baixos, percebendo que fez besteira, disse:
- Eu estava tentando acertar perto da lagartixa prá ela ir comer os mosquitos! Eu não ia acertar a lagartixa!
E me levando até a lixeira da sala bateu, bateu até subirem muitos mosquitinhos...
Eu, sem saber o que dizer, falei:
- Senta, Jô, senta...
Como eu explicaria que basta trocar o sanito do cesto? Afffff... Tão mais legal ir buscar uma lagartixa! E a turma já me solicitava. Dei por encerrado o assunto da lagartixa.
E mais uma vez pensei, que poderia ter dado uma bronca enorme nele se não o tivesse ouvido. Tem sido difícil manter a “espinha ereta e o coração tranquilo” para ouví-los em meio à tanta violência...
É um exercício constante, a cada minuto, lembrar que entender as lógicas de ação deles para organizar e reorganizar o trabalho é a minha prioridade número UM!
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