quinta-feira, 10 de novembro de 2011

RELATO DO ENCONTRO DO DIA 04/11/2011


Com a participação das professoras:
  • Dominique, Vanessa, Onéa, Regina, Janey, Cláudia, Mônica, Simone Cecília.
Tema: continuidade da discussão do texto de Arroyo, hoje das páginas 41 a 46. 

Inicialmente, acordamos que o encontro do dia 18 de novembro deve ser cancelado, pois será a semana da Mostra Cultural da escola e não será possível conciliar o evento com as atividades do grupo.

Combinamos de no dia 25 de novembro fazermos um encerramento das atividades deste ano e de no dia 02 de dezembro fazermos o fechamento de uma proposta para o grupo no próximo ano.

Sobre a discussão do texto, os principais pontos levantados foram:
  • O autor faz muitas indagações e não fornece suas respostas, incitando a curiosidade e a reflexão, mas também certo desapontamento, pois buscamos soluções para as dificuldades em nosso trabalho cotidiano.
  • Percebe-se que os alunos não têm interesse pelos estudos, não se envolvem com as atividades propostas, mesmo quando o professor muda suas táticas de trabalho.
  • Importância da família na educação. No entanto, o que se vê é a ausência dela na escola e na vida escolar dos filhos, falta de comprometimento. Não se deve esquecer ainda de um problema social atual em nossa sociedade, principalmente nos bairros mais pobres – como o de nossa escola – que é a desintegração das famílias. 
  • A maioria dos alunos vêem a escola como um local de lazer, não um local de aprendizagem.
  • Os professores são sempre culpabilizados pela sociedade pela má qualidade da educação que existe no país.
Sugestões: avaliações, repensar os ciclos.  
Relato escrito pela professora Vanessa Fernandez e postado pela orientadora pedagógica Janey Silva

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Relato do Encontro do dia 21/10/2011

RELATO DO ENCONTRO DO DIA 21/10/2011
Presentes no encontro:
  • Dominique                             (Professora Educação Física Ciclo III e IV)
  • Janey                                     (Orientadora pedagógica)
  • Mafê                                       (Professora Ciclo I e II)
  • Onéa                                      (Professora Ciclo I e II)
  • Regina                                               (Professora Ciclo I e II)
  • Simone Cecília                       (Professora Educação Física Ciclo II, III, IV e EJA)
  • Simone Franco                       (Professora Ciclo I e II)        
  • Claudinha e Mônica não puderam estar presentes neste encontro porque estão reunidas na Biblioteca da escola, junto à equipe do CEFORTEPE - a fim de registrar (e valorizar) o excelente trabalho desenvolvido sobre o tema “Lixo Extraordinário” (durante o qual trabalharam a coleta seletiva de materiais e a transformação destes em “obras de arte” (imagem 1).
Ausentes:
·         Silmara                                   (Professora Ciclo III e IV)
·         Vanessa                                  (Professora Ciclo III e IV)
Imagem 1: “Carmem Miranda” confeccionada com materiais coletados pelos alunosem passeio pelo entorno da EMEF. Pe. José Narciso Vieira Ehrenberg.
Regina inicia a discussão acerca da leitura das páginas combinadas para o encontro de hoje, dizendo que algo importante que o texto destaca é o fato de que o "Currículo" que hoje discutimos não é feito para os alunos "menos favorecidos”.
Regina nos coloca indagações que ela mesma se faz, enquanto profissional da educação:
·         Como assegurar que as nossas crianças tenham acesso a conhecimentos que são historicamente valorizados?
·         Seriam estes conhecimentos realmente os mais importantes para nossos alunos (tendo em vista a realidade em que vivem)?
·         O que devemos fazer: "adequar os alunos ao Currículo (e aos conhecimentos valorizados neste)”? Ou adequar o "Currículo” (e os conhecimentos a serem trabalhados por este) à “realidade dos alunos”?
Mafê questiona:
  • "Como devemos proceder para colocar estes alunos (com dificuldades de aprendizagem) no FOCO do Currículo"?
O que Mafê questiona é o fato de como pensamos em práticas cotidianas, muitas vezes, sem nos atentarmos para as verdadeiras demandas das crianças.
Mafê exemplifica citando o exemplo de uma colega, professora da rede estadual, que por conta das exigências feitas pelo sistema em que vivemos, viu-se "cobrando dos alunos e de si mesma", enquanto profissional, um bom desempenho de seus alunos do segundo ano, num "Simulado do SARESP" - realizado em plena "Semana das Crianças" – quando, na verdade, a “demanda das crianças seria a do direito ao BRINCAR, AO SER CRIANÇA”...
Simone Cecília nos mostra uma imagem que exemplifica aquilo que ela considera importante: trata-se de uma imagem de uma pichação num muro, que retrata o fato da não valorização (do atual Currículo), dos conhecimentos que levam o cidadão a se tornar um indivíduo crítico, autônomo e capaz de transformar a realidade em que vivem.

Dominique novamente nos expõe sua preocupação com a exclusão, em detrimento do trabalho cooperativo (tão almejado por nós, professoras) – nas aulas de educação física dos sétimos, oitavos e nonos anos: nas quais as meninas continuam resistentes em participar das atividades propostas...
Onéa, Simone e Mafê citam exemplos de práticas pedagógicas realizadas nos anos iniciais que trabalham em grupos – mas que, infelizmente, parecem se transformar no decorrer dos anos.
Por conta do tempo escasso encerramos o encontro – combinando que as participantes lerão a postagem no Blog[1] e farão comentários acerca da postagem.
Apenas para relembrar:
Para o próximo encontro, que ocorrerá somente no dia 04/11/2011, realizaremos a discussão sobre a leitura das páginas 41 a 46 (que faremos em casa).
Relato produzido pela Orientadora pedagógica Janey Silva.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Relato do Encontro do dia 07/10/2011

Presentes no encontro:
  1. Claudinha
  2. Janey
  3. Mafê
  4. Onéa
  5. Regina
  6. Silmara
  7. Vanessa
Demos início ao encontro retomando o combinado na última sexta-feira: leitura das páginas 33 a 36, relacionando-o aos escritos recebidos no Seminário de Práticas Educativas e à nossa realidade.
Simone Franco expõe suas idéias para planejarmos os encontros finais de 2011:
  • 21/10: leitura e discussão das páginas 37 a 40
  • 04/11: leitura e discussão das páginas 41 a 46
  • 11/11: leitura e discussão das páginas 46 a 51
  • 18/11: fechamento/encerramento das discussões realizadas em 2011
  • 25/11: fechamento/encerramento das discussões realizadas em 2011 e planejamento de propostas para os encontros em 2012.
  • 02/12: fechamento/encerramento das discussões realizadas em 2011 e planejamento de propostas para os encontros em 2012.
 Após este breve planejamento dos próximos encontros, demos continuidade à discussão efetiva das páginas 33 a 36.
Onéa coloca para o grupo as questões que chamaram sua atenção, a partir da leitura realizada:
·         Todo currículo passa, obrigatoriamente, "por uma seleção/classificação dos nossos alunos"???
·         Estudarmos o "Currículo" mudará a situação de alunos que "não atingem o ritmo de aprendizagem tido como ideal"?
Mafê retoma uma discussão recorrente em nossa escola: a preocupação com os alunos que, em virtude de "ritmos de aprendizagem" diferenciados, sempre acabam "excluídos" e vão ficando "à margem" do processo de escolarização.
Regina expõe os conteúdos lidos que mais a angustiaram (diante da realidade que vivenciamos): recebermos em nossas classes de segundos e terceiros anos, ainda, alunos não alfabetizados, provenientes de outras escolas e/ou redes de ensino. 
Para exemplificar a relação que fez, Regina leu para o grupo:
"Todos os seres humanos, ricos, pobres; infelizes ou felizes; ajustados ou desajustados, são iguais em potencialidades essenciais. Aos menos afortunados falta-lhes apenas as oportunidades e condições materiais para desenvolver-se como ser humano produtivo e digno. As antigas visões que o homem tem de outro homem eram preconceituosas e essa visão não combina com a atividade dos educadores do século XXI. Todos têm o direito de ser de acordo com suas necessidades produtivas para não serem obrigados a se dirigir para as improdutividades".
Simone e Mafê questionam os tempos e os espaços escolares que, infelizmente, enfrentamos atualmente - e o quanto a relação Número de adultos x Número de crianças também pode fazer a diferença no processo de aprendizagem destes alunos.
Diante da proporção de um único professor para cerca de 30 alunos, fica impossível realizar um trabalho diferenciado em pequenos grupos!
Mafê coloca possibilidades para tentarmos mudar essa triste realidade: solicitarmos ajuda/participação do Conselho de Escola; dialogarmos junto ao Naed - buscando um maior número de profissionais (sejam eles adjuntos, ou não) - para atuarem em nossa escola em 2012.
Falamos também de inclusão de alunos da educação especial em nossa escola e retomamos o combinado para o próximo encontro, que ocorrerá somente no dia 21/10:
  • 21/10: leitura e discussão das páginas 37 a 40 do texto de Miguel Arroyo.
 Texto redigido pela orientadora pedagógica Janey Silva.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Relato do Encontro do dia 30/09/2011

Presentes: Mônica, Claudinha, Vanessa, Simone Cecília, Onéa, Regina, Simone Franco e Mafê.

Lemos o texto postado pela Professora Silmara nesta semana.
E após breve discussão sobre os relatos colhidos no seminário combinamos para o próximo encontro a continuação da leitura do texto do Arroyo da página 33 a 36. Esta leitura deverá ser feita fazendo relação com os relatos. 
Combinamos que durante os próximos encontros terminaremos este caderno e usaremos os dois ultimos encontros do ano para sistematizar propostas de ações que contemplem aspectos do currículo que julgamos importantes durante o estudo.

Texto postado por Simone Franco e Mafê.


domingo, 25 de setembro de 2011

Que farei com este aluno?

No relato do encontro referente a 23/09/2011, postado pela professora Vanessa, faltou uma das respostas à atividade proposta para o Seminário de Práticas Educativas, realizado uma semana antes. Trata-se da minha resposta às questões como vejo os educandos? e quem são esses sujeitos?
Tomei a liberdade de postar esse texto isoladamente, pois a primeira escrita não costuma ser clara e precisa o suficiente para nortear reflexões que contornem subjetividades. E professor de português vocês sabem como pensa: “um texto sempre pode ficar melhor...” (tá, isso também é do imaginário social, mas no meu caso, aplica-se com perfeição). Todavia, para não desvirtuar a proposta, que se concentrava, justamente, no modelo de escrita “tempestade de ideias”, disponibilizo meu texto original para apreciação:
Entendem o que eu quis dizer com “um texto sempre pode ficar melhor”?
 Agora, os pontos que quero destacar e a partir dos quais proponho novas questões, relacionando-as com a reflexão sobre o currículo, tema central de nossos encontros:
Nos ciclos III e IV não temos mais crianças
Pré-adolescência e adolescência. Todos conhecemos as alterações físicas e comportamentais dessas fases, e só o desejo de independência/individualidade e a supervalorização das relações afetivo-sexuais bastam para gerar várias das atitudes agressivas e displicentes que tanto nos obrigam a, no mínimo, “atrasar o conteúdo”.
De que forma o currículo prevê, ou deve prever, o ensino nessas fases da vida dos alunos? E não estou me referindo tão somente a uma Educação Sexual – tema certamente merecedor de tratamento fundamental – e a livros didáticos inteiros dedicados ao assunto “sou jovem e ninguém me entende”, senão a uma proposta viável e séria, voltada para o desenvolvimento físico, intelectual e comportamental dos jovens para a realidade sócio-histórica da qual fazem parte.
Alunos curiosos, mas desinteressados? O que nós, professores, não estamos vendo?
Um exemplo: em uma semana de agosto deste ano, quatro grupos de alunos separados por anos (6os, 7os, 8os e 9os), foram, cada um em um dia, a um cinema – localizado em um shopping, como quase 101% dos cinemas – assistir a uma cópia dublada da segunda parte de Harry Potter e as relíquias da morte. O filme é legal (tem ação, aventura e romance), os atores principais são jovens, bonitos e famosos. Ir ao cinema também é legal.
De modo geral, não houve cobranças de interpretação da narrativa fílmica (eu cheguei a fazer algumas perguntas – nada complexas – sobre o filme, mas em apenas uma turma e, confesso, por ter sido avisada, às pressas, de uma ausência docente).
E quanto aos alunos? Gostaram? Sim, gostaram do banheiro do shopping, da escada rolante, das lojas, da bombonière, das poltronas da sala de cinema, do escurinho do cinema... O filme não importou, a experiência da tela grande, menos ainda. Não sabíamos nós, os professores, que a vivência no ambiente shopping era o que desejavam? E que a combinação pré-adolescentes + passeio de escola + cinema não é igual a “apreciar a sétima arte”, mas a ser pré-adolescentes no cinema (paquerar, “ficar”, comer quilos de pipoca e beber litros de refrigerante, fazer piada com as cenas e personagens do filme etc.)?
OBSERVAÇÃO: não comento comportamentos mais graves de indisciplina relatados pelos professores por entendê-los como casos pontuais, com alunos recorrentemente neles envolvidos.
Enfrentadores, críticos, questionadores, expansivos...
Hoje, os alunos falam, opinam (e como falam!, e como opinam!). Muitos questionam o porquê do que pretendemos ou não fazer, questionam a validade e a necessidade do que ensinamos e do que eles “precisam” aprender. Alguns enfrentam professores, diretores, vices, demais funcionários da escola, e sem qualquer receio de uma punição mais severa. Os que o fazem de modo agressivo são, felizmente, poucos, mas um grande número de alunos enfrenta, com variados níveis de imposição da vontade, as figuras de autoridade.
O espaço e a valorização que a figura e a voz do jovem ocupam na sociedade reforçam os episódios de enfrentamento, já naturais para a faixa etária. A submissão característica de alunos das gerações passadas tende a decrescer cada vez mais (e acreditem, estou me vigiando para evitar julgamentos: não ouso dizer se é melhor ou pior, mas é um fato).
Atualmente, existe algum espaço ou momento, na escola, que verdadeiramente contemple essa postura expansiva dos alunos (excetuando-se os breves momentos, em uma ou outra aula, de um ou outro professor)? Que currículo considera esse comportamento franco, comunicativo e entusiasta – cada vez mais típico – merecedor de incentivo? Esse comportamento é merecedor de incentivo? E em que condições?
Dinâmicos, superficiais e efêmeros como a atual sociedade em que vivemos
Observando com criticidade a sociedade em que vivemos e a vida que levamos (desconsiderando, obviamente as singularidades próprias de grupos sociais restritos), o que apreendemos como o mais comum de nossa época? Superoferta, superacesso e supervalorização de informação, bens e serviços (não por acaso o etnólogo Marc Augé prefere o termo supermodernidade à pós-modernidade). É possível, para qualquer homem que não seja super, processar tudo o que acontece a sua volta? Não. Isso nunca foi possível, ainda mais quando essa “volta” engloba, não raramente, todo o globo...
Ora, para aproveitarmos tudo o que há de disponível (vivemos na era do consumo e do prazer, afinal), então, temos de fazê-lo rápida e superficialmente.
Corro o risco, agora, de parecer obtusa e, também eu, superficial, mas os alunos com os quais trabalhamos são fruto desses excessos: de vontade, de liberdade, de coisas para fazer, de coisas para ter, de identidades para ser, enfim, excesso de tudo. Resultado: inevitáveis angústia e autodepreciação.
De que currículo precisamos para formar pessoas que vivem nesse mundo? De que currículo precisamos para (trans)formar pessoas que atuem nesse mundo?

NOTA SOBRE O TÍTULO: Mais uma vez, voltei a Saramago...

Silmara Rodrigues - professora adjunta de português dos ciclos III e IV